quando criança eu deixava comida para um passarinho na janela do meu quarto.
e quando acabava, ele batia com o bico contra o vidro avisando que estava com fome.
o mesmo aconteceu ontem aqui... com uma distância de mais de 20 anos e 12 mil quilômetros.
deixo um potinho de sementes na mesa da sacada.
e ontem vejo esse passarinho pequeninho que se equilibra na moldura da porta. e quando encontra a posição certa começa com o seu "tec-tec-tec-tec" contra o vidro.
vou até a porta... e seu potinho está vazio!
sábado, 25 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
a caminho do genetiscista
a minha vida é um pequeno drama...
e meus cromossomos parecem saídos de uma apresentação circense!
e meus cromossomos parecem saídos de uma apresentação circense!
quarta-feira, 15 de maio de 2013
provocando um ataque cardíaco
ela liga para ele:
- passe em casa antes de sair para o jantar. preciso falar com você.
eles no banheiro enquanto ele faz a barba:
- você vai ficar bravo comigo.
- o que aconteceu?
- perdi a minha aliança.
- onde?
- e como é que vou saber onde? percebi que não tenho mais a aliança no dedo.
- você sabe o que eu penso.
- eu sei... você é um supersticioso inveterado que acha que é um sinal do fim.
[pausa]
ele continua fazendo a barba.
ela pega a mão dele:
- e onde está a tua aliança??
ele fica pálido! branco como a parede.
- cadê a minha aliança??
- nós dois perdemos no mesmo dia?
- ah, não brinca! cadê a minha aliança?
- e como é que vou saber?
e enquanto ele esta a beira do desespero,
ela não aguenta mais conter o riso e cai na gargalhada.
tira as duas alianças do bolso.
ele tinha perdido enquanto dormia.
e ela nunca tinha perdido a sua.
- passe em casa antes de sair para o jantar. preciso falar com você.
eles no banheiro enquanto ele faz a barba:
- você vai ficar bravo comigo.
- o que aconteceu?
- perdi a minha aliança.
- onde?
- e como é que vou saber onde? percebi que não tenho mais a aliança no dedo.
- você sabe o que eu penso.
- eu sei... você é um supersticioso inveterado que acha que é um sinal do fim.
[pausa]
ele continua fazendo a barba.
ela pega a mão dele:
- e onde está a tua aliança??
ele fica pálido! branco como a parede.
- cadê a minha aliança??
- nós dois perdemos no mesmo dia?
- ah, não brinca! cadê a minha aliança?
- e como é que vou saber?
e enquanto ele esta a beira do desespero,
ela não aguenta mais conter o riso e cai na gargalhada.
tira as duas alianças do bolso.
ele tinha perdido enquanto dormia.
e ela nunca tinha perdido a sua.
terça-feira, 14 de maio de 2013
com o panda não!
matteo de seis anos fala em italiano com a menina alemã de dois ou três anos, filha de um casal de clientes hospedados no hotel. ela não responde.
ele oferece um de seus pandas (seguindo a ordem da tia) e assim que ela pega um (os dois pandas são exatamente iguais) ele lamenta:
- ela escolheu justo o meu preferido.
a menina o coloca no chão (ele faz cara de desesperado).
a menina se senta em cima do panda - e ele não pode suportar. vai reclamar com a mãe.
fala, fala, fala.
e a mãe da garota responde:
- non capisco.
ele repete todo o discurso.
e ela diz à ele:
- non capisco.
ele em italiano diz:
- mas você fala italiano ou alemão? porque eu tô aqui falando com você e você me responde em italiano que não entende. eu repito tudo outra vez. mas tô achando que você só sabe falar "eu não entendo" em italiano!
****
na manhã seguinte:
a menina o procura na hora do café da manhã.
ele trata de esconder os dois pandas.
a avó diz para ele conversar com a menina. ele a ignora.
e me fala baixinho:
- ela não é italiana.
digo à ele:
- mas você também não é italiano. você é cambojano. e eu também não sou italiana, sou brasileira.
- mas zia adri, nós falamos italiano.
ele oferece um de seus pandas (seguindo a ordem da tia) e assim que ela pega um (os dois pandas são exatamente iguais) ele lamenta:
- ela escolheu justo o meu preferido.
a menina o coloca no chão (ele faz cara de desesperado).
a menina se senta em cima do panda - e ele não pode suportar. vai reclamar com a mãe.
fala, fala, fala.
e a mãe da garota responde:
- non capisco.
ele repete todo o discurso.
e ela diz à ele:
- non capisco.
ele em italiano diz:
- mas você fala italiano ou alemão? porque eu tô aqui falando com você e você me responde em italiano que não entende. eu repito tudo outra vez. mas tô achando que você só sabe falar "eu não entendo" em italiano!
****
na manhã seguinte:
a menina o procura na hora do café da manhã.
ele trata de esconder os dois pandas.
a avó diz para ele conversar com a menina. ele a ignora.
e me fala baixinho:
- ela não é italiana.
digo à ele:
- mas você também não é italiano. você é cambojano. e eu também não sou italiana, sou brasileira.
- mas zia adri, nós falamos italiano.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
cereja-cerejeira
a ideia foi dele: dar uma árvore frutífera para a minha avó no dia das mães.
minha mãe passou de floricultura em floricultura e não encontrou.
me diz:
- vou comprar kiwi. três fêmeas e um macho.
vai buscar as árvores e estão secas-sequentas.
no lugar, compra uma árvore de pitanga.
dá de presente para a minha avó e ela diz que não é pitanga,
é uma cerejeira!
a árvore que eu queria e que ninguém tinha pra vender!
minha mãe passou de floricultura em floricultura e não encontrou.
me diz:
- vou comprar kiwi. três fêmeas e um macho.
vai buscar as árvores e estão secas-sequentas.
no lugar, compra uma árvore de pitanga.
dá de presente para a minha avó e ela diz que não é pitanga,
é uma cerejeira!
a árvore que eu queria e que ninguém tinha pra vender!
domingo, 12 de maio de 2013
nó na garganta
meu cunhado me fez chorar logo cedo.
enquanto minha sogra abria o presente que demos a ela,
ele me dá uma rosa que colheu em seu jardim.
e me diz com a voz marejada e as lágrimas contidas:
- para quem estamos esperando ser mamãe.
enquanto minha sogra abria o presente que demos a ela,
ele me dá uma rosa que colheu em seu jardim.
e me diz com a voz marejada e as lágrimas contidas:
- para quem estamos esperando ser mamãe.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
a saga dos correios
vou ao armazém a dez passos aqui de casa comprar três cartões postais.
- selo?
- ha! selo?
- não tem!
- ah, não me diga isso... odeio ir à posta (correio daqui!).
- você não é a única, adriane! sabe por que não tenho selo pra vender? (aqui se vende selo em "tabacarias" qualquer lugar autorizado para a venda de cigarros também, como banca de revista ou armazém).
- porque a posta não tem!
- como assim?
- ontem percebi que os turistas já estão chegando e que os meus selos já tinham acabado. fiquei na fila pra comprar os selos. e o que eu ouvi? que os selos acabaram e só vão receber mais na semana que vem!!
e assim descobri que não sou a única a odiar a posta italiana! continuando sugerindo que eles troquem o p por b!
- selo?
- ha! selo?
- não tem!
- ah, não me diga isso... odeio ir à posta (correio daqui!).
- você não é a única, adriane! sabe por que não tenho selo pra vender? (aqui se vende selo em "tabacarias" qualquer lugar autorizado para a venda de cigarros também, como banca de revista ou armazém).
- porque a posta não tem!
- como assim?
- ontem percebi que os turistas já estão chegando e que os meus selos já tinham acabado. fiquei na fila pra comprar os selos. e o que eu ouvi? que os selos acabaram e só vão receber mais na semana que vem!!
e assim descobri que não sou a única a odiar a posta italiana! continuando sugerindo que eles troquem o p por b!
a falta de fé
enquanto conversamos sobre política (e de como tudo andaria barranco abaixo se um forte candidato a prefeito ganhasse a eleição que acontecerá aqui nos próximos dias) a mãe dele grita:
- vai assim porque vocês não têm fé.
nos olhamos com um ponto de interrogação estampado na testa. o que a fé tem a ver com a política?
- ele diz: estamos falando que se ele entrar coloca uma cruz sobre o turismo, o nosso ganha pão.
e ela insiste na teoria de fé. como se bastasse ter fé pra que tudo andasse nos trilhos.
na hora penso - mas não falo, porque já sei a resposta - como fica a situação de quem tem muita fé e só se ferra. como é o caso do primo padre, com uma doença degenerativa que atrofia músculo a músculo.
ah, mas nesse caso é a fé dele que é colocada em prova! e cada vez me espanto em como as pessoas precisam da viseira igual a um cavalo. é tão mais prático não pensar e olhar sempre em uma única direção!
- vai assim porque vocês não têm fé.
nos olhamos com um ponto de interrogação estampado na testa. o que a fé tem a ver com a política?
- ele diz: estamos falando que se ele entrar coloca uma cruz sobre o turismo, o nosso ganha pão.
e ela insiste na teoria de fé. como se bastasse ter fé pra que tudo andasse nos trilhos.
na hora penso - mas não falo, porque já sei a resposta - como fica a situação de quem tem muita fé e só se ferra. como é o caso do primo padre, com uma doença degenerativa que atrofia músculo a músculo.
ah, mas nesse caso é a fé dele que é colocada em prova! e cada vez me espanto em como as pessoas precisam da viseira igual a um cavalo. é tão mais prático não pensar e olhar sempre em uma única direção!
segunda-feira, 6 de maio de 2013
o exame que nos lê de cabo a rabo
a Itália pode ser um país quebrado, emerso em crise (ainda se Berlusconi insiste em dizer que não vê a crise porque encontra os restaurantes sempre lotados) mas a saúde pública funciona aqui.
enquanto no Brasil é preciso mendigar no escritório da Unimed para liberar um exame, aqui ninguém nem mesmo te questiona nada: o pedido de exame já sai da mesa do médico pronto pra ser usado. e vale dizer que não se trata de um plano privado - é o serviço de saúde pública.
eu pago uma parte: 264 euros.
e em seguida vejo o montante pago pelo governo: 2.821,02 euros (cerca de R$ 7.600,).

3.085, euros (cerca de R$ 8.330,) e em 21 dias teremos um mapeamento genético e de DNA que indicará qualquer chance de doença física ou mental que a combinação minha e dele possa gerar em um filho. e de acordo com o resultado o nosso médico pode andar adiante com o tratamento ou optar por não continuar.
e quando explico ao meu pai (ele que há uns meses pegou pesado dizendo que o procedimento poderia gerar um bebê com muitos problemas) me diz com a voz doce: era isso que eu queria te explicar! era esse exame que eu queria que vocês fizessem!

3.085, euros (cerca de R$ 8.330,) e em 21 dias teremos um mapeamento genético e de DNA que indicará qualquer chance de doença física ou mental que a combinação minha e dele possa gerar em um filho. e de acordo com o resultado o nosso médico pode andar adiante com o tratamento ou optar por não continuar.
e quando explico ao meu pai (ele que há uns meses pegou pesado dizendo que o procedimento poderia gerar um bebê com muitos problemas) me diz com a voz doce: era isso que eu queria te explicar! era esse exame que eu queria que vocês fizessem!
domingo, 5 de maio de 2013
a maça não cai longe do pé
na sexta a noite:
ele: o que você vai fazer amanhã?
ela: quero acordar cedo pra levar o carro pra lavar.
ele: você é mesmo filha do teu pai.
ele: o que você vai fazer amanhã?
ela: quero acordar cedo pra levar o carro pra lavar.
ele: você é mesmo filha do teu pai.
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